domingo, 8 de março de 2009

Dia Internacional da Mulher



Poema para todas as mulheres




"No teu branco seio eu choro.

Minhas lágrimas descem pelo teu ventre

E se embebedam do perfume do teu sexo.

Mulher, que máquina és, que só me tens desesperado

Confuso, criança para te conter!

Oh, não feches os teus braços sobre a minha tristeza não!

Ah, não abandones a tua boca à minha inocência, não!

Homem sou belo

Macho sou forte, poeta sou altíssimo

E só a pureza me ama e ela é em mim uma cidade e tem mil e uma portas.

Ai! Teus cabelos recendem à flor da murta

Melhor seria morrer ou ver-te morta

E nunca, nunca poder te tocar!

Mas, fauno, sinto o vento do mar roçar-me os braços

Anjo, sinto o calor do vento nas espumas

Passarinho, sinto o ninho nos teus pêlos...

Correi, correi, ó lágrimas saudosas

Afogai-me, tirai-me deste tempo

Levai-me para o campo das estrelas

Entregai-me depressa à lua cheia

Dai-me o poder vagaroso do soneto, dai-me a iluminação das odes, dai-me

o cântico dos cânticos

Que eu não posso mais, ai!

Que esta mulher me devora!

Que eu quero fugir, quero a minha mãezinha quero o colo de Nossa

Senhora!"



Vinicius de Morais




A MULHER MADURA
(Afonso Romano de Santana)

"O rosto da mulher madura entrou na moldura dos meus olhos.
De repente, a surpreendo num banco olhando de soslaio, aguardando sua vez no balcão. Outras vezes ela passa por mim entre os camelôs. Vezes outras a entrevejo no espelho de um joalheria. A mulher madura, com seu rosto denso esculpido como o de uma atriz grega, tem qualquer coisa de Melina Mercouri ou de Anouke Aimé.
Há uma serenidade nos seus gestos, longe dos desperdícios da adolescência, quando se esbanjam pernas, braços e bocas ruidosamente. A adolescente não sabe ainda os limites do seu corpo e vai florescendo estabanada. É como um nadador principiante, faz muito barulho, joga muita água para os lados. Enfim, desborda.
A mulher madura nada no tempo e flui com a serenidade de um peixe.
O silêncio em torno de seus gestos tem algo do repouso da garça sobre o lago. Seu olhar sobre os objetos não é de gula ou de concupiscência. Seus olhos não violam as coisas, mas as envolvem ternamente. Sabem a distância entre seu corpo e o mundo.
A mulher madura é assim: tem algo de orquídea que brota exclusiva de um tronco, inteira. Não é um canteiro de margaridas jovens tagarelando nas manhãs.
A adolescente,com o brilho de seus cabelos, com essa irradiação que vem dos dentes e dos olhos, nos extasia. Mas a mulher madura tem um som de adágio em suas formas.
E até no gozo ela soa com a profundidade de um violoncelo e a sutileza de um oboé sobre a campina do leito.A boca da mulher madura tem uma indizível sabedoria. Ela chorou na madrugada e abriu-se em opaco espanto. Ela conheceu a traição e ela mesma saiu sozinha para se deixar invadir pela dimensão de outros corpos. Por isto as suas mãos são líricas no drama e repõem no seu corpo um aprendizado da macia paina de setembro e abril.
O corpo da mulher madura é um corpo que já tem história. Inscrições já se fizeram em sua superfície. Seu corpo não é como na adolescência, uma pura e agreste possibilidade. Ela conhece seus mecanismos,apalpa suas mensagens, decodifica as ameaças numa intimidade respeitosa.
Sei que falo de uma certa mulher madura localizada numa classe social, e os mais politizados têm que ter condescendência e me entender. A maturidade também vem à mulher pobre, mas vem com tal violência que o verde se perverte e sobre os casebres e corpos tudo se reveste de uma marrom tristeza.
Na verdade, talvez a mulher madura não se saiba assim inteira ante seu olho interior. Talvez a sua aura se inscreva melhor no olho exterior, que a maturidade é também algo que o outro nos confere, complementarmente.
Maturidade é essa coisa dupla: um jogo de espelhos revelador.
Cada idade tem seu esplendor. É um equívoco pensá-lo apenas como um relâmpago de juventude, um brilho de raquetes e pernas sobre as praias do tempo. Cada idade tem seu brilho e é preciso que cada um descubra o fulgor do próprio corpo.
A mulher madura está pronta para algo definitivo.
Merece, por exemplo, sentar-se naquela praça de Siena à tarde acompanhando com o complacente olhar o vôo das andorinhas e das crianças a brincar. A mulher madura tem esse ar de que, enfim, está pronta para ir à Grécia. Descolou-se da superfície das coisas. Merece profundidades. Por isto, pode-se dizer que a mulher madura não ostenta jóias. As jóias brotaram de seu tronco, incorporaram-se naturalmente ao seu rosto, como se fossem prendas do tempo.A mulher madura é um ser luminoso, é repousante às quatro horas da tarde, quando as sereias se banham e saem discretamente perfumadas com seus filhos pelos parques do dia. Pena que seu marido não note, perdido que está nos escritórios e mesquinhas ações nos múltiplos mercados dos gestos. Ele não sabe, mas deveria voltar para casa tão maduro quanto Yves Montand e Paul Newman, quando nos seus filmes.
Sobretudo o primeiro namorado ou o primeiro marido não sabem o que perderam em não esperá-la madurar. Ali está uma mulher madura, mais que nunca pronta para quem a souber amar."

6 comentários:

Guilherme Jarreta disse...

Sabe o que no fim se trata?
Tudo no fim é quase improviso. Improviso na verdade trata de uma forma de amenizar a responsabilidade das escolhas.
No fim quase tudo que conhece surge do improviso. Até mesmo o dia das mulheres :)
Viver na corda bamba, ou então nadar em uma banheira de rosas do romantismo também é uma forma de improviso. Estar na corda bamba é andar na rua e viver de ilusão.
Que mal tem sonhar? Nenhum.. desde que você entenda que à partir do momento que você mentalizou e organizou o sentido, aquilo passou a ser uma realidade, e não simplesmente uma ilusão. Toda realidade tem lá suas aplicações e implicações. Basta saber arcar com elas e gozar de tudo de bom que se pode viver de mais essa experiência.
Sinta!

Maurício Bettini disse...

Ola, sou mauricio bettini tenho 26 anos, sou ator e dramaturgo. acompanho seu trablho em chamas da vida. resolvi ler mais sobre vc e achei esse seu blog. primeiro parabens pelo seu trabalho.D+ tambem tenho um que alguns chamam oq ue escrevo se poesia, mas no fundo não é.. escreve comigo? (mauriciobettini@hotmail.com)vista o meu . www.mauriciobettini.blogspot.com
Grande abraço pra ti, mais um avez parabens...e a gente se esbarra na arte.
MB

thi disse...

mulher! se tiver outra coisa que nos tragaa felicidade, me avise!

complicadas, porém capazes de transformar a mais complexa tristeza na mais pura alegria.

sempre ativas, sorridentes, mas quando algo acontece, são as primeiras a transparecer e pedir um carinho.

explosivas, guerreiras, não levam desaforo pra casa! só não conseguem esconder que quando se derretem, é sincero.

já te dei parabéns Ju. hahahaha

beeeeeeeeeeeeijo colega de maternal! to pasmo ate hoje. hioahioaai

polegarzinha disse...

e a mulher que há em vc é tão poderosa que suas veias saltam de prazer... em ser... você!


eu te amo, amiga.

Daiane Braghin disse...

Menina, amei teu blog. Parabéns!
Caí aqui por “acaso”. Me surpreendi, nunca imaginei que você fosse assim.
Quero deixar duas coisas tremendas pra você. Uma para a cidadã Juliana e a outra para a pessoa Juliana.

Para a cidadã mando o documentário “A história das coisas”: http://www.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E

Para a pessoa mando uma das artes da trupe O Teatro Mágico, a música "Insetos interiores".

Música: http://www.mp3tube.net/br/musics/O-teatro-magico-insetos-interiores/187296/

Letra: http://letras.terra.com.br/o-teatro-magico/1281862/

Beijos,
Daiane

Grazielle Montezano disse...

selo pra vc no meu blog :D