sábado, 14 de novembro de 2009

Giz Azul



O giz de cera azul desenhava as letras

E ela tentava, delicada, alinhar as linhas

Na parede não-uniforme

Do apartamento não-retilíneo

E a dificuldade se estendia a cada abaixada

E a cada agachada, um equilíbrio

E a cada traço, uma palavra

E no rodapé, um suor...

Ao término, orgulho

Leu a nova estampa do corredor

Letras pra quem passasse passageiro

Poesia pra quem parasse, passageiro

Ousou, escreveu, criou

Olhou, leu, reparou

Entendeu.

Que corredor era aquele?

Onde teria escrito tanto amor?

Com qual permissão?

Pichadora amadora

Escrevendo escondida

No apartamento do vizinho.


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7 comentários:

Marcelo Mayer disse...

todos nós temos esses dias. como jogar nossa raiva ou amor numa parede, mesmo que seja para incomodar os outros!

belo!

muito foda!

Frederico disse...

Muito bonito o texto =)
te entrevistei hoje na UVA e resolvi dar uma passada nos blogs de vocês para ler o que escrevem...estão de parabéns!
não esqueçam de me mandar o e-mail, por favor

beijos!

fred cochrane

polegarzinha disse...

... e a menina se cansa de tanto amor ... e deseja suar além da parede ...

Victor disse...

phophynhow... :P

Pâmela Marques disse...

Queria poder pichar o muro da casa dele também, mas milhares de poesias que foram escritas e permanecem dentro de uma gaveta.

Rafael Anderson disse...

Eu não conhecia esse blog, muito legal, cheio de cultura, poesias e com um conteúdo inteligente.
Parabéns.

Xandy Britto disse...

Adorei... aqui dá para ver que foi uma crianças feliz. E que a solidão dessa criança ainda está aí, na mulher. Obs:. Deveria fazer uma feedburner, para ter seus readers. Assim a gente se cadastraria e receberia suas publicações do blog diretinho no nosso email. Bjokas! XB